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A lipoaspiração, cirurgia plástica mais realizada
no pais, é a que lidera o número de processos ético-profissionais
contra médicos da área estética, segundo levantamento
do CREMESP (conselho regional de medicina) feito entre 2001 e 2008.
De 289 processos que apuram de reclamações sobre propagandas
e resultados de cirurgias até mortes de pacientes, 33,5%
se referem à lipo.
A morte da recepcionista Regiane Aparecida Bauer, 27 anos, ocorrida
no sábado, passou a engrossar as estatísticas do CREMESP.
Ontem o conselho abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias
que levaram Regiane a sofrer uma parada cardiorespiratória
duas horas após o início da cirurgia.
O prontuário da clínica mostra que os médicos
já haviam aspirado a gordura do abdômen e, quando se
preparavam para começar a cirurgia nas costas, a jovem teve
uma parada cardiorespiratória súbita.
A suspeita dos médicos é que a mulher tenha sofrido
uma embolia gordurosa pulmonar
Quando uma placa de gordura ou coágulo de sangue se desloca
e vai para o pulmão, obstruindo a artéria pulmonar.
“A grande maioria das complicações e mortes
ocorridas durante a lipoaspiração é por embolia
pulmonar.” As pacientes precisam saber que há complicações
sérias na lipoaspiração e tomar precauções.
Precisam ter referências do profissional e do local onde serão
operadas, não podem se iludir apenas pelo preço barato”,
alerta Renato Azevedo Júnior, vice-presidente do CREMESP
Além da embolia pulmonar, podem ocorrer outros problemas
sérios durante a lipo, como intoxicações pela
anestesia e perfurações vicerais. Medicações
como vitamina E, o ginseng e a gincobiloba também podem interferir
na coagulação do sangue e causar sangramentos excessivos.
Risco
de morte
Não há um consenso sobre o índice de mortes
envolvidas nas lipoaspirações. Uma publicação
da FDA (agência americana reguladora de medicamentos), por
exemplo, são esperadas 3 mortes a cada 100 mil cirurgias.
Por essa estimativa, o Brasil segundo maior mercado mundial das
cirurgias plásticas, estaria dentro da média. São
realizadas no país em média 200 mil lipoaspirações
por ano. Em 2008 ocorreram ao menos 6 mortes durante essas cirurgias.
“A Incidência de óbitos é muito baixa,
e quando ocorre é por excesso de remoção
de gordura ou por imperícia de cirurgiões despreparados.
A lipoaspiração é perigosa se esses preceitos
não forem seguidos” Afirma João
de Moraes Prado Neto, presidente da regional paulista
da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica)
Para o cirurgião plástico José Teixeira
Gama, diretor da SBCP, a falta de especialização
médica e a realização da cirurgia em locais
inadequados são os principais fatores implicados nas mortes
por lipoaspiração.
“Não
é chegar no primeiro, que é baratinho e que divide
em 36 vezes. A pessoa tem que se certificar se o médico
é especialista em cirurgia plástica e se a cirurgia
será feita em local seguro e adequado”, orienta.
Apenas seis
dos 289 médicos processados no CREMESP tinham título
de especialista em cirurgia plástica.
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