Em
quatro anos, o número se cirurgias estéticas de mama
(aumento e redução) ultrapassou o de lipoaspirações
no Brasil, segundo pesquisa Datafolha encomendada a Sociedade
Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). De um total
de 629 mil procedimentos de médio e grande porte feitos em
2008, 151 mil foram de mama e outros 91 mil de lipoaspiração.
Em 2004, no último levantamento da SBCP, as lipos totalizaram
198.137, e as cirurgias de mama 117.759. No total, foram, 616.287
cirurgias. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de
cirurgias plástica, só perde para os Estados Unidos.
Uma das explicações da entidade para a queda da lipo
nas estatísticas é que muitas cirurgias passaram a
serem feitas por médico e não por cirurgiões
plásticos, cirurgiões gerais, também podem
faze-las.
A não especialização tem sido apontada com
uma das causas das complicações na lipoaspiração.
Segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São
Paulo, dos 289 médicos processados na área estética
de 2001 a 2008, 283 não eram especialistas em cirurgia plástica.
Na avaliação do presidente da SBCP,
José Tariki, o crescimento de mama em relação
à lipoaspiração é explicado, em parte,
por uma maior confiança na técnica.
“ As próteses avançaram muito. O gel (de silicone)
não é mais líquido, o que impede que ele invada
outras áreas do corpo. Com isso, as pacientes que tinham
medo coeçaram a procurar (pela cirurgia)”, afirma.
A pesquisa mostrou que as cirurgias de aumento dos seios são
74% mais freqüentes do que as de redução, 96
mil contra 55 mil.
“O conceito era que o brasileiro gostava de mama pequena e
bumbum grande. Hoje, ter mama grande deixou de ser problema. Na
década de 90, só 10% eram de aumento e 90% eram de
redução”, diz Tariki.
“Estamos vivendo uma americanização do padrão
e do gosto por seios volumosos”, emenda Paulo Roberto
Leal, Diretor Científico da SBCP e chefe do serviço
de cirurgia reconstrutora do INCA (Instituto Nacional do Câncer)
A analista financeira Andréa Ribeiro Lima, 26, implantou
300ml de silicone em cada seio em dezembro, estimuladas pelas amigas
e pela irmã, todas “siliconadas”. “Não
me sentia bem com decotes. Agora, meu sutiã saltou do número
40 para o 44, Tô amando”, afirma ela.
Cirurgias
Reparadoras
A pesquisa Datafolha também traçou pela primeira
vez um perfil das cirurgias plásticas reparadoras, que
totalizam 172 mil por ano, 31% do total.
Os tumores (principalmente o de pele e o de mama) são responsáveis
por 43% (74 mil) dos procedimentos, seguidos pelos acidentes urbanos
(13%)
A maioria das cirurgias reparadoras (81%) é feita em hospitais
públicos, mas há longas filas de espera. No Inca,
por exemplo, que realiza em média 1.200 cirurgias por ano,
elas demoram de três a quatro meses.
“A procura é muito grande porque somos um centro
de referência. A maioria dos hospitais públicos não
tem profissionais qualificados”, diz o cirurgião
Paulo Leal.
|