{"id":3511,"date":"2015-05-06T15:43:10","date_gmt":"2015-05-06T15:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/?p=3511"},"modified":"2015-05-06T15:43:10","modified_gmt":"2015-05-06T15:43:10","slug":"apos-cirurgia-inedita-menino-que-teve-45-do-corpo-queimado-se-recupera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/apos-cirurgia-inedita-menino-que-teve-45-do-corpo-queimado-se-recupera\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s cirurgia in\u00e9dita, menino que teve 45% do corpo queimado se recupera"},"content":{"rendered":"<p>Gustavo Kenedi, de Ibat\u00e9, foi submetido a procedimento no HC da Unicamp.<br \/>\nMenino havia perdido o movimento do pesco\u00e7o e tinha vergonha da apar\u00eancia.<\/p>\n<p>Gustavo Kenedi Sousa Bertelli, de 8 anos, \u00e9 magrinho, quer ser policial quando crescer e, como a maioria das crian\u00e7as, n\u00e3o gosta de inje\u00e7\u00f5es, muito menos as que toma para reduzir as cicatrizes na orelha. Mas isso n\u00e3o o impede de seguir \u00e0 risca o tratamento indicado pelos m\u00e9dicos e de ser descrito de forma un\u00e2nime por familiares e amigos como \u201cforte\u201d. Morador de Ibat\u00e9 (SP), ele sofreu graves queimaduras na cabe\u00e7a, pesco\u00e7o, peito e bra\u00e7os em 2013, quando tinha 6 anos, e, em 2015, passou por uma cirurgia in\u00e9dita, com uma placa especial de silicone, capaz de acelerar a recupera\u00e7\u00e3o e auxiliar na retomada de movimentos prejudicados ap\u00f3s cicatriza\u00e7\u00e3o inadequada.<\/p>\n<p>Gustavo Kenedi e a professora Natal\u00edcia durante a aula (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Stefhanie Piovezan\/G1)<\/p>\n<p>O procedimento foi realizado no Hospital de Cl\u00ednicas da Unicamp e aos poucos Gustavo est\u00e1 recuperando a rotina. Ele participa de sess\u00f5es de fisioterapia e n\u00e3o pode ficar muito exposto ao sol, por conta da sensibilidade da pele, mas voltou para a escola e continua como o melhor jogador de fliperama da rua. S\u00f3 falta empinar pipa, uma das brincadeiras preferidas, mas isso tamb\u00e9m deve ocorrer em breve, durante as f\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u201cEle n\u00e3o tinha mais o movimento do pesco\u00e7o, mastigar estava dif\u00edcil. Um m\u00e9dico da Santa Casa de Limeira falou do problema na cicatriza\u00e7\u00e3o e da possibilidade da cirurgia em Campinas. Disse que ia ligar e ficamos esperando\u201d, contou Fabr\u00edcia de Quadros Souza, m\u00e3e de Gustavo e de Pedro Lucas, de 3 anos.<\/p>\n<p>A not\u00edcia da esperada liga\u00e7\u00e3o chegou por meio de uma vizinha. Em fevereiro, Gustavo foi submetido \u00e0 cirurgia para a aplica\u00e7\u00e3o da matriz e, um m\u00eas depois, os m\u00e9dicos enxertaram a pele removida da cabe\u00e7a para cobrir a \u00e1rea. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o tinha esperan\u00e7a. Falaram que, ao todo, custaria R$ 80 mil. De onde ia tirar R$ 80 mil?\u201d, disse Fabr\u00edcia. \u201cEu fiquei muito contente porque se co\u00e7ava muito, n\u00e3o dormia direito, agora pode andar de pesco\u00e7o erguido, era o que a gente estava esperando\u201d, detalhou a av\u00f3, Roseli de Quadros.<\/p>\n<p>Fam\u00edlia de Gustavo reunida no quintal da casa da av\u00f3 materna, Roseli (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Stefhanie Piovezan\/G1)<\/p>\n<p>O material utilizado, desenvolvido nos Estados Unidos, foi doado ap\u00f3s uma uma negocia\u00e7\u00e3o com a empresa distribuidora e, com a cirurgia, veio a esperan\u00e7a da recupera\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, Paulo Kharmandayan, chefe da cirurgia pl\u00e1stica do HC e professor da Unicamp, explicou que o queixo de Gustavo estava colado ao t\u00f3rax e que isso poderia prejudicar a alimenta\u00e7\u00e3o, a respira\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento cervical com o tempo. \u201cA equipe que atendeu o Gustavo \u00e9 de primeira. Os m\u00e9dicos me explicaram tudo, mostraram fotos, foram atenciosos\u201d, elogiou a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Acidente<br \/>\nFabr\u00edcia trabalhava como cortadora de frios em um supermercado de S\u00e3o Carlos e o marido, transferido pela empresa, atuava como soldador na Bahia na \u00e9poca do acidente que deixou Gustavo com 45% do corpo queimado. \u201cEu havia acabado de chegar e ele pediu para ir \u00e0 tia ver um filme. Dez minutos depois, ouvi o choro dele e ainda comentei com a minha m\u00e3e. Minha cunhada estava no banho e ele ficou sozinho com dois primos\u201d, disse Fabr\u00edcia. As crian\u00e7as jogaram \u00e1lcool em Gustavo e atearam fogo.<\/p>\n<p>Gustavo vai para a escola com a m\u00e3e e protegido por guarda-chuva (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/F\u00e1bio de Souza\/Arquivo pessoal)<\/p>\n<p>\u201cEle estava usando uma blusa preta e quando vi s\u00f3 havia a parte de tr\u00e1s. Um vizinho ajudou e levou para o pronto-socorro aqui em Ibat\u00e9. Depois, mandaram ele para a UTI da Santa Casa de S\u00e3o Carlos e, de l\u00e1, conseguiram vaga em Limeira, onde passou dois meses e quatro dias\u201d, disse a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Fabr\u00edcia e Roseli se revezavam no hospital a cada tr\u00eas dias. O pai de Gustavo, Paulo, deixou o servi\u00e7o e tamb\u00e9m entrou no esquema. Eles viajavam de Ibat\u00e9 a Limeira em um ve\u00edculo da Prefeitura e passavam a noite na cadeira de acompanhante. Viveram assim de setembro a novembro de 2013, enquanto eram realizados enxertos de pele das costas e das pernas de Gustavo nas \u00e1reas queimadas e enquanto ele recuperava os movimentos ap\u00f3s a retirada das faixas. \u201cEle viveu de novo, renasceu\u201d, resumiu a av\u00f3.<\/p>\n<p>Tia de Gustavo, Camila de Quadros Souza acompanhou a recupera\u00e7\u00e3o e contou que o momento mais dif\u00edcil foi a interna\u00e7\u00e3o na UTI. \u201cA Fabr\u00edcia mandou uma foto pelo celular\u201d, afirmou. Questionada sobre o que fez com a imagem, foi direta. \u201cTristeza a gente apaga, tem que apagar\u201d.<\/p>\n<p>Rotina<br \/>\nA comerciante Helena Aparecida de Souza tem uma lanchonete na rua da fam\u00edlia e tamb\u00e9m conhece a hist\u00f3ria de Gustavo de perto. \u201cEle \u00e9 meu amigo, falava que tinha d\u00f3 de me ver sozinha, ficava aqui na loja comigo\u201d, disse enquanto ele e os primos se divertiam no fliperama do estabelecimento.<\/p>\n<p>Helena vende as pipas que fazem a cabe\u00e7a da garotada durante as f\u00e9rias, mas, ao contr\u00e1rio dos papagaios, a m\u00e1quina n\u00e3o sai de moda e, segundo as crian\u00e7as, Gustavo \u00e9 o melhor nas disputas com fichas. O segredo dele para se dar bem nas lutas? \u201cPara ganhar, tem que dar o m\u00e1ximo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEle faz tudo o que os m\u00e9dicos mandam, \u00e9 o esfor\u00e7o dele. Os m\u00e9dicos falam que ele \u00e9 muito forte, muito guerreiro\u201d, disse Fabr\u00edcia, sem esconder o orgulho. \u201cQuando ele acordou da cirurgia, perguntou o que tinha no pesco\u00e7o\u201d, contou a m\u00e3e, e n\u00e3o foi o \u00fanico questionamento. \u201cPerguntei se ia vir comida\u201d, contou Gustavo envergonhado.<\/p>\n<p>Ele adora arroz, feij\u00e3o e lingui\u00e7a e, antes de ir para a escola municipal Professora Brasilina Teixeira Ianoni com os primos, mostrou que era bom de garfo. \u201cEle chegou mais magrinho, est\u00e1 engordando\u201d, dedurou a tia.<\/p>\n<p>Gustavo (\u00faltimo \u00e0 direita) e os primos: as brincadeiras voltaram (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Stefhanie Piovezan\/G1)<\/p>\n<p>Escola<br \/>\nH\u00e1 uma pr\u00e1tica de controle de presen\u00e7a na escola e n\u00e3o demorou para a dire\u00e7\u00e3o perceber a aus\u00eancia de Gustavo depois do acidente. \u201cAp\u00f3s tr\u00eas dias de falta, entramos em contato com a fam\u00edlia e, se n\u00e3o conseguimos fazer isso por telefone, vamos at\u00e9 a resid\u00eancia da crian\u00e7a\u201d, explicou a diretora, T\u00e2nia Picinin.<\/p>\n<p>Ele se afastou da escola em setembro de 2013 e s\u00f3 voltou a frequentar as aulas com regularidade no segundo semestre de 2014. Tinha vergonha dos olhares, das perguntas, n\u00e3o queria regressar e foi necess\u00e1rio um trabalho conjunto de incentivo. De in\u00edcio, foi criada uma pasta com atividades que Gustavo havia perdido e as crian\u00e7as da sala foram informadas que ele havia sofrido um acidente. Se ele dizia que n\u00e3o estava bem, a equipe avaliava a necessidade de permanecer na escola naquele dia e avisava a m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as encararam como normal, entenderam que tinham que cuidar dele. Foi aos poucos, havia a inseguran\u00e7a dele e da pr\u00f3pria Fabr\u00edcia. Mostramos que a gente podia cuidar dele\u201d, comentou T\u00e2nia. M\u00e3e de dois meninos, inclusive de um Gustavo, ela contou que se colocava no lugar do aluno e que percebeu melhoras depois do procedimento em Campinas.<\/p>\n<p>\u201cAntes, ele ficava escondendo o pesco\u00e7o e eu trouxe camisas de gola alta do meu Gustavo para ele se sentir mais confort\u00e1vel. Agora, depois dessa cirurgia, ele brinca, interage\u201d, disse a diretora. Mas ainda h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es, principalmente na educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. \u201cEle fica na sala, para leitura e atividades te\u00f3ricas, brinca com jogos de tabuleiro com os colegas e, quando quer, deixamos assistir aos exerc\u00edcios\u201d, explicou o coordenador da disciplina, Alexandre Gaspar.<\/p>\n<p>Segundo Gaspar e T\u00e2nia, o caso de Gustavo n\u00e3o foi o primeiro na escola e, por conta dos riscos, a dire\u00e7\u00e3o pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros e a unidade sediou uma palestra sobre acidentes dom\u00e9sticos e primeiros socorros. \u201cUm aluno tentou fazer um carrinho com uma garrafa de \u00e1lcool e, quando furou a embalagem com f\u00f3sforo para colocar as rodas, se queimou. Tamb\u00e9m tivemos um estudante que queimou o rosto porque o irm\u00e3o derrubou a panela com miojo\u201d, relatou a diretora.<\/p>\n<p>O caso de Gustavo, por\u00e9m, foi o mais grave, da\u00ed a felicidade com a recupera\u00e7\u00e3o. \u201cEle perdeu conte\u00fado e tem dificuldade, mas faz os exerc\u00edcios com a ajuda da m\u00e3e, participa, tem vontade de aprender. \u00c9 muito forte\u201d, afirmou a professora Natal\u00edcia Costa. \u201cEle quis a melhora e hoje a gente olha e fala: Como foi forte!\u201d, completou T\u00e2nia.<\/p>\n<p>Tia, av\u00f3, primos e amigos ressaltaram a for\u00e7a de Gustavo durante o tratamento (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Stefhanie Piovezan\/G1)<\/p>\n<p>Ajuda<br \/>\nFabr\u00edcia e Paulo ficaram desempregados e n\u00e3o podem mais contar com a ajuda do av\u00f4 de Gustavo, que contribu\u00eda com sua aposentadoria e faleceu h\u00e1 seis meses. Quem quiser auxiliar a fam\u00edlia, pode entrar em contato pelos telefones (16) 9-9153-2841 ou (16) 9-9409-4723.<\/p>\n<p>Fonte: G1<br \/>\nAutora: Stefhanie Piovezan<br \/>\nFotos: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Stefhanie Piovezan\/G1 e Reprodu\u00e7\u00e3o\/F\u00e1bio de Souza\/Arquivo Pessoal<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gustavo Kenedi, de Ibat\u00e9, foi submetido a procedimento no HC da Unicamp. Menino havia perdido o movimento do pesco\u00e7o e tinha vergonha da apar\u00eancia. 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