{"id":4045,"date":"2016-07-08T16:28:08","date_gmt":"2016-07-08T16:28:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/?p=4045"},"modified":"2018-05-21T12:36:20","modified_gmt":"2018-05-21T15:36:20","slug":"banco-de-tecidos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/banco-de-tecidos-humanos\/","title":{"rendered":"Banco de Tecidos Humanos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eduardo Mainieri Chem<\/strong><br \/>\nM\u00e9dico cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico, Diretor do Banco de Tecidos &#8211; Pele da Irmandade da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, RS<\/p>\n<p><strong>Aline Francielle Damo Souza<\/strong><br \/>\nBiom\u00e9dica do Banco de Tecidos &#8211; Pele da Irmandade da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, RS<\/p>\n<p><strong>Luana Pretto<\/strong><br \/>\nBiom\u00e9dica do Banco de Tecidos &#8211; Pele da Irmandade da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, RS<\/p>\n<p><strong>Pablo Fagundes Pase, Paulo Favalli, Rafael Neto e Rodrigo Dornelles<\/strong><br \/>\nM\u00e9dico cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico colaborador volunt\u00e1rio do Banco de Tecidos &#8211; Pele da Irmandade da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, RS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Banco de Tecidos Humanos<\/p>\n<p>O Banco de Tecidos Humanos Dr. Roberto Correa Chem foi criado em 2005 e \u00e9 um dos tr\u00eas Bancos de Tecidos em atividade no Pa\u00eds (ao lado de S\u00e3o Paulo e Curitiba). Sua principal atividade hoje se concentra em captar, processar, preservar e disponibilizar l\u00e2minas de pele al\u00f3gena humana para os centros de tratamento de queimados e politraumatizados do Pa\u00eds. Todas as etapas s\u00e3o realizadas obedecendo protocolos homologados pela legisla\u00e7\u00e3o vigente e fiscalizados pelos \u00f3rg\u00e3os competentes, o que garante um rigoroso controle de qualidade.<\/p>\n<p>A pele al\u00f3gena funciona como um curativo biol\u00f3gico tempor\u00e1rio para cobertura de les\u00f5es cut\u00e2neas superficiais a profundas, protegendo o leito da ferida contra infec\u00e7\u00f5es bacterianas, reduzindo perdas de l\u00edquido e de calor, minimizando a dor e estimulando a cicatriza\u00e7\u00e3o. Encontra indica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica bem estabelecida, entre elas a cobertura da \u00e1rea receptora, prote\u00e7\u00e3o de les\u00f5es de espessura parcial, prote\u00e7\u00e3o de autoenxerto (enxerto \u201csandu\u00edche\u201d) e cobertura tempor\u00e1ria de les\u00f5es extensas e profundas. Especialmente nesta \u00faltima condi\u00e7\u00e3o, na qual \u00e9 invi\u00e1vel a cobertura total das les\u00f5es por autoenxerto, a utiliza\u00e7\u00e3o de aloenxerto (pele proveniente de outro indiv\u00edduo, mas da mesma esp\u00e9cie) \u00e9 um tratamento providencial e pode representar a diferen\u00e7a entre a vida e a morte, havendo redu\u00e7\u00e3o da mortalidade de grandes queimados quando se disp\u00f5e dessa alternativa.<\/p>\n<p>A doa\u00e7\u00e3o de pele pode ser realizada a partir de indiv\u00edduos com o diagn\u00f3stico de morte encef\u00e1lica ou parada cardiorrespirat\u00f3ria. Assim como para os demais \u00f3rg\u00e3os e tecidos, a fam\u00edlia do doador \u00e9 entrevistada quanto ao desejo de doar, assinando um termo de consentimento para tal. A exist\u00eancia de doen\u00e7as transmiss\u00edveis \u00e9 investigada com o intuito de evitar a infec\u00e7\u00e3o do futuro receptor. Para a preserva\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do tecido e minimiza\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis contamina\u00e7\u00f5es microbianas, o protocolo de retirada de pele \u00e9 muito similar ao de uma cirurgia in vivo. Realiza\u00e7\u00e3o em salas limpas do centro cir\u00fargico, t\u00e9cnica de manipula\u00e7\u00e3o ass\u00e9ptica (escova\u00e7\u00e3o e paramenta\u00e7\u00e3o completas) e utiliza\u00e7\u00e3o de materiais est\u00e9reis fazem parte das rotinas da capta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA capta\u00e7\u00e3o de pele consiste em retirar, com o aux\u00edlio de um derm\u00e1tomo ou faca de enxerto, finas l\u00e2minas com espessuras que variam de 0,8 a 1,0 mm. Neste processo, retira-se epiderme e derme papilar. Preferencialmente, as regi\u00f5es doadoras localizam-se em coxas, pernas e tronco posterior, pois s\u00e3o facilmente \u201cescondidas\u201d durante a vela\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 sangramento nem tampouco mutila\u00e7\u00e3o destas \u00e1reas, apenas a mudan\u00e7a para uma colora\u00e7\u00e3o mais clara (figura 1). Ao final do processo de capta\u00e7\u00e3o, o uso de ap\u00f3sitos, ataduras e esparadrapos oculta eventuais perdas l\u00edquidas.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a retirada, a pele \u00e9 encaminhada ao Banco de Tecidos, iniciando-se o processamento e sua conserva\u00e7\u00e3o em glicerol. Durante este processo, s\u00e3o realizados diversos testes microbiol\u00f3gicos, ficando a pele liberada para envio somente ap\u00f3s ser garantida a aus\u00eancia total de microrganismos. Exemplares que n\u00e3o obtiverem tal condi\u00e7\u00e3o mesmo ap\u00f3s tratamentos com antimicrobianos s\u00e3o descartados. Os demais s\u00e3o armazenados sob refrigera\u00e7\u00e3o, ficando dispon\u00edveis para uso por um per\u00edodo de at\u00e9 2 anos.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o do tecido est\u00e1 sob regula\u00e7\u00e3o da Central Nacional de Transplantes (CNT) e das Centrais Regionais (CNCDO= Central de Notifica\u00e7\u00e3o, Capta\u00e7\u00e3o e Distribui\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os). Tanto o m\u00e9dico como o hospital onde ser\u00e1 realizado o transplante dever\u00e3o ser cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Para obter a pele al\u00f3gena, o m\u00e9dico transplantador necessita:<br \/>\n1- entrar em contato com o Banco de Tecidos para verificar a disponibilidade de estoque de acordo com a sua necessidade.<br \/>\n2- encaminhar para a CNCDO do seu Estado um formul\u00e1rio contendo os dados do paciente a ser transplantado, a quantidade de tecido requerida e os dados do hospital onde ser\u00e1 realizado o transplante.<br \/>\nAp\u00f3s a CNCDO enviar a autoriza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do transplante ao Banco de Tecidos, este separa a quantidade de pele solicitada e organiza o seu envio para o local do transplante. Em caso de envio a\u00e9reo, a CNT solicita \u00e0 companhia a\u00e9rea a realiza\u00e7\u00e3o do transporte de forma gratuita.<\/p>\n<p>Juntamente com a pele, s\u00e3o enviadas instru\u00e7\u00f5es para manuseio e uso da pele al\u00f3gena, documentos contendo o registro do tecido enviado, o termo de consentimento para realiza\u00e7\u00e3o do transplante, o formul\u00e1rio de notifica\u00e7\u00e3o de transplante realizado e o termo de notifica\u00e7\u00e3o de efeitos colaterais. Devidamente preenchidos, os documentos devem retornar ao Banco de Tecidos para controle de rastreabilidade e posterior arquivamento. At\u00e9 10\/05\/2016, ocorreram 268 capta\u00e7\u00f5es (gr\u00e1fico 1) que possibilitaram envio de pele a diferentes localidades do territ\u00f3rio nacional (figura 2).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da pele al\u00f3gena, o Banco de Tecidos Humanos conta com a perspectiva de disponibiliza\u00e7\u00e3o de membrana amni\u00f3tica. Ao contr\u00e1rio de outros Pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, a capta\u00e7\u00e3o, o processamento e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de membrana amni\u00f3tica para uso cl\u00ednico ainda n\u00e3o s\u00e3o regulamentados no Brasil. Motivados pela not\u00f3ria trag\u00e9dia ocorrida na cidade de Santa Maria \u2013 RS, os Bancos de Tecidos do Chile, Uruguai e da Argentina doaram uma grande quantidade de membrana amni\u00f3tica ao Rio Grande do Sul. Atrav\u00e9s de uma autoriza\u00e7\u00e3o especial do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foi poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o legal desse produto espec\u00edfico, conferindo ao Banco de Tecidos uma importante experi\u00eancia de manipula\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de tal material. At\u00e9 a presente data, aguarda-se a publica\u00e7\u00e3o da portaria definitiva para iniciar o processo totalmente nacional de capta\u00e7\u00e3o, processamento e distribui\u00e7\u00e3o deste promissor curativo biol\u00f3gico, a membrana amni\u00f3tica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4046\" alt=\"pele\" src=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele.jpg\" width=\"388\" height=\"289\" \/><\/p>\n<p><\/a>Figura 1. Doador de pele humana: aspecto da regi\u00e3o doadora ap\u00f3s a retirada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/graf.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4047\" alt=\"graf\" src=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/graf.jpg\" width=\"388\" height=\"283\" \/><\/a><\/p>\n<p>Gr\u00e1fico 1. N\u00famero de doadores Banco de Pele Dr. Roberto Corr\u00eaa Chem ao longo dos anos. (*Dados at\u00e9 10\/05\/16).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mapa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4048\" alt=\"mapa\" src=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/mapa.jpg\" width=\"400\" height=\"360\" \/><\/a><\/p>\n<p>Figura 2. Destinos da pele doada pelo Banco de Pele Dr. Roberto Corr\u00eaa Chem<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Banco de Pele de Porto Alegre, o Brasil conta ainda com a atua\u00e7\u00e3o de dois outros importantes Bancos: o Banco de Pele Humana do Hospital Universit\u00e1rio Evang\u00e9lico de Curitiba\/PR, sob dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do Dr. Luiz Henrique A. Calomeno, e o Banco de Pele do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, sob dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do Dr. Andr\u00e9 Paggiaro.<br \/>\nDe acordo com informa\u00e7\u00f5es fornecidas pela equipe do Banco, o BPH de Curitiba tem sua equipe composta por 07 cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos, 06 residentes e 02 enfermeiras. No ano de 2015, o Servi\u00e7o realizou 31 capta\u00e7\u00f5es de pele e enviou pele para 45 pacientes receptores, sendo o Servi\u00e7o de Queimados do Hospital Universit\u00e1rio Evang\u00e9lico de Curitiba o maior beneficiado com as doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao Banco de Pele do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, o diretor t\u00e9cnico do Servi\u00e7o afirma que o Banco teve grandes avan\u00e7os internos com o passar dos anos, com melhora da estrutura f\u00edsica e melhorias no controle de qualidade. O Banco do HC fornece pele para diversos locais do pa\u00eds e tamb\u00e9m para a Am\u00e9rica do Sul (Equador). Entretanto, assim como os demais Bancos do pa\u00eds, o Banco do HC enfrenta problemas basicamente com a baixa oferta de doadores de pele e a falta de equipes de capta\u00e7\u00e3o de pele adequadamente remuneradas e dispon\u00edveis em tempo integral para realiza\u00e7\u00e3o das capta\u00e7\u00f5es. No ano de 2015, o Servi\u00e7o teve um total de 24 ofertas de doa\u00e7\u00e3o de pele, sendo que apenas 07 evolu\u00edram para doadores efetivos. Neste mesmo ano, o Banco do HC enviou pele para 20 pacientes receptores, correspondendo a um total de 16.003,00 cm2 de pele al\u00f3gena distribu\u00edda para transplante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Mainieri Chem M\u00e9dico cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico, Diretor do Banco de Tecidos &#8211; Pele da Irmandade da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Porto Alegre, RS Aline Francielle Damo Souza Biom\u00e9dica do&#8230;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4045","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4045"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4045\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5022,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4045\/revisions\/5022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}