{"id":4281,"date":"2016-12-14T12:37:56","date_gmt":"2016-12-14T12:37:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/?p=4281"},"modified":"2016-12-14T12:37:56","modified_gmt":"2016-12-14T12:37:56","slug":"entrevista-ricardo-baroudi-o-10-presidente-eleito-da-sbcp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/entrevista-ricardo-baroudi-o-10-presidente-eleito-da-sbcp\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ricardo Baroudi, o 10\u00b0 presidente eleito da SBCP"},"content":{"rendered":"<h2>BREVE AN\u00c1LISE DA EVOLU\u00c7\u00c3O DA CIRURGIA PL\u00c1STICA NO BRASIL PELA CARREIRA DE RICARDO BAROUDI<\/h2>\n<p>No m\u00eas em que se comemora o Dia Nacional do Cirurgi\u00e3o Pl\u00e1stico e os 68 anos de funda\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica (SBCP), o d\u00e9cimo presidente eleito da SBCP e um dos pioneiros da especialidade no pa\u00eds, Dr. Ricardo Baroudi, fala um pouco de sua trajet\u00f3ria na especialidade e faz uma breve an\u00e1lise da evolu\u00e7\u00e3o da cirurgia pl\u00e1stica no pa\u00eds, respondendo quest\u00f5es da atualidade como a forma\u00e7\u00e3o do cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico e a invas\u00e3o da especialidade por n\u00e3o especialistas. Confira a entrevista abaixo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Foto-Dr.-Baroudi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-4282\" alt=\"Foto Dr. Baroudi\" src=\"http:\/\/www2.cirurgiaplastica.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Foto-Dr.-Baroudi.jpg\" width=\"567\" height=\"503\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>SBCP<\/b>\u00a0&#8211; O senhor se formou h\u00e1 quase 60 anos. Na sua vis\u00e3o o que mudou nessas seis d\u00e9cadas no perfil do m\u00e9dico cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico?<\/p>\n<p><b>RB<\/b>\u00a0&#8211; Apesar da Medicina ser uma ci\u00eancia de verdades transit\u00f3rias, a sua linha de evolu\u00e7\u00e3o sempre foi e tem sido ascendente em todas as especialidades.\u00a0 Se formos comparar especificamente a Cirurgia Pl\u00e1stica, quando nos graduamos nos idos de 1957 aos limites atuais da especialidade, os ganhos foram e tem sido cont\u00ednuos e incont\u00e1veis.\u00a0 Atualmente ainda, analisando a qualidade dos\u00a0 resultados obtidos nos numerosos e diversos\u00a0 tipos de cirurgias,\u00a0 \u00e9 tamb\u00e9m quase incompar\u00e1vel com base\u00a0 na evolu\u00e7\u00e3o natural das t\u00e9cnicas e nos limites\u00a0 de cobran\u00e7a por parte das(os) pacientes.\u00a0 Um dos pontos fundamentais nesta evolu\u00e7\u00e3o foi a anestesia e a monitoragem dos pacientes, permitindo maior seguran\u00e7a transoperat\u00f3ria na realiza\u00e7\u00e3o de cir\u00fargicas combinadas e a imperativa necessidade de equipes cir\u00fargicas treinadas para realizar estes procedimentos.<\/p>\n<p>Outra evolu\u00e7\u00e3o a ser registrada \u00e9 a receptividade da cirurgia est\u00e9tica no cen\u00e1rio social, quando o \u201ctabu\u201d deste tipo de cirurgia passou a ser \u201cstatus\u201d, associado a mostrar o que \u00e9 belo e eliminar o oposto.\u00a0 Este aspecto teve maior repercuss\u00e3o social nos pa\u00edses tropicais e mais ainda nas \u00e1reas pr\u00f3ximas ao litoral, onde a exposi\u00e7\u00e3o do corpo \u00e9 maior comparada com os que vivem nas montanhas, nas regi\u00f5es do interior dos pa\u00edses e nos de clima temperado.<\/p>\n<p>Ainda nesta linha evolutiva, a desinibi\u00e7\u00e3o de falar e mostrar os resultados das cirurgias determinou uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia para as pessoas que desconheciam os procedimentos, as que estavam no limite de querer ser operadas e as que aguardavam os resultados de outras operadas para decidirem ou n\u00e3o a se submeterem a estes tipos de cirurgias. Cremos que este comportamento n\u00e3o dever\u00e1 mudar em longo prazo, salvo algo melhor que a cirurgia pl\u00e1stica est\u00e9tica possa oferecer.<\/p>\n<p><b>SBCP &#8211;<\/b>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, houve evolu\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><b>RB &#8211;<\/b>\u00a0Nas \u00faltimas d\u00e9cadas a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica\u00a0 tem evolu\u00eddo continuamente, mediante crit\u00e9rios t\u00e1ticos,\u00a0 t\u00e9cnicos e did\u00e1ticos para a prepara\u00e7\u00e3o de cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos jovens e qualificados para exercer a especialidade.\u00a0 Foram criados competentes servi\u00e7os credenciados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica em todo o pa\u00eds, em que o bacharel em medicina durante tr\u00eas anos como residente, depois do treinamento em Cirurgia Geral, recebe treinamento em tempo integral\u00a0 para estar em condi\u00e7\u00f5es de exercer a especialidade mediante exame de qualifica\u00e7\u00e3o\u00a0 no final do mesmo.<\/p>\n<p><b>SBCP &#8211;<\/b>\u00a0Quais foram os maiores desafios enfrentados nesses anos de profiss\u00e3o?<\/p>\n<p><b>RB &#8211;<\/b>\u00a0Como os demais m\u00e9dicos, cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos tamb\u00e9m\u00a0 passam por treinamentos espec\u00edficos para as \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o.\u00a0 Desde o in\u00edcio de suas atividades at\u00e9 a aposentadoria, prevalece a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos conhecimentos adquiridos e a seu constante aprimoramento na sua qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para a obten\u00e7\u00e3o de resultados sempre melhores dos apresentados nas condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9-operat\u00f3rias.\u00a0 N\u00e3o tem sentido resultados aqu\u00e9m. \u00c9 importante e imperativo que os pacientes saibam os limites e possibilidades dos resultados antes de uma cirurgia, mediante informa\u00e7\u00f5es precisas por parte do Cirurgi\u00e3o e a possibilidade de haver retoques quando necess\u00e1rio. A rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente deve ser mantida diante de intercorr\u00eancias e mesmo diante de complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Particularmente na Cirurgia Pl\u00e1stica Est\u00e9tica, ningu\u00e9m se submete a um procedimento para ficar igual ou pior do que estava: a expectativa \u00e9 melhorar sempre, por\u00e9m, dentro de crit\u00e9rios apresentados pelo profissional respons\u00e1vel para evitar qualquer ansiedade al\u00e9m dos limites prometidos.<\/p>\n<p>Durante os anos de atividade profissional passamos por tr\u00eas per\u00edodos distintos e interligados quanto \u00e0 postura profissional diante das pacientes: quantitativo, qualitativo e o seletivo.\u00a0 As palavras s\u00e3o autoexplicativas e aplicadas \u00e0 grande maioria dos Cirurgi\u00f5es Pl\u00e1sticos.<\/p>\n<p>Ainda sobre o assunto, a tend\u00eancia \u00e9 a de sermos selecionados pelos pacientes diante dos resultados por eles observados nas pessoas de suas rela\u00e7\u00f5es. Os maiores desafios foram agir com compet\u00eancia e dignidade, atributos nem sempre presentes na nossa rotina profissional, pois, quando nosso dia a dia \u00e9 lidar com a vida humana , muitos quesitos algumas vezes adversos, se somam \u00e0 nossa compet\u00eancia.<\/p>\n<p><b>SBCP\u00a0<\/b>&#8211; E quais foram suas principais conquistas?<\/p>\n<p><b>RB<\/b>\u00a0&#8211; A minha prioridade sempre foi trabalhar na especialidade, juntando atividades cient\u00edficas e cir\u00fargicas, combinando ambas de forma a contribuir com publica\u00e7\u00f5es em Livros e Revistas nacionais e estrangeiras. Chegamos\u00a0 aproximadamente a\u00a0 140 publica\u00e7\u00f5es\u00a0 , al\u00e9m de um livro integralmente escrito por n\u00f3s sobre Cirurgia do Contorno Corporal. Paralelamente fui duas vezes presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica, presidi tr\u00eas congressos internacionais e fui editor da Revista Brasileira de Cirurgia Pl\u00e1stica.<\/p>\n<p><b>SBCP<\/b>\u00a0&#8211; Hoje temos visto muitos n\u00e3o especialistas realizando procedimentos de cirurgia pl\u00e1stica. Como o senhor enxerga essa invas\u00e3o da especialidade?<\/p>\n<p><b>RB<\/b>\u00a0&#8211; Nos tempos idos , cham\u00e1vamos especialistas de v\u00e1rias \u00e1reas para participarem de certos tipos de cirurgias combinadas com a pl\u00e1stica que ir\u00edamos realizar nas pacientes.\u00a0 Otorrinos, oftalmologistas, ginecologistas, cirurgi\u00f5es gerais, ortopedistas, etc., que realizavam o seu trabalho e eram respons\u00e1veis pelo seu tratamento.\u00a0 As pacientes pagavam diretamente a estes m\u00e9dicos. Por exemplo, os otorrinos eram os respons\u00e1veis pela parte funcional do nariz corrigindo o septo e os cornetos melhorando a respira\u00e7\u00e3o e n\u00f3s na pl\u00e1stica nasal para fins est\u00e9ticos.<\/p>\n<p>O tempo passou e lentamente estes especialistas aprenderam a fazer estas pl\u00e1sticas e simplesmente continuam nesta rotina atualmente.\u00a0 N\u00e3o haver\u00e1 retorno ao antigo sistema de combinar especialistas diversos de acordo com a patologia espec\u00edfica. Desconhecemos os aspectos legais e \u00e9ticos destes procedimentos.\u00a0 O tempo determinar\u00e1 at\u00e9 quando isto vai ocorrer e at\u00e9 quando o Conselho Federal de Medicina ir\u00e1 assumir o teor deste assunto e definir a conduta final.<\/p>\n<p><b>SBCP<\/b>\u00a0&#8211; Que recado o senhor gostaria de passar para os novos cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos, que est\u00e3o come\u00e7ando a carreira agora?<\/p>\n<p><b>RB<\/b>\u00a0&#8211; A Cirurgia Pl\u00e1stica \u00e9 essencialmente artesanal em particular a ligada a est\u00e9tica , onde o compromisso profissional\u00a0\u00a0 est\u00e1 vinculado ao percentual de melhora\u00a0 prometido antes da cirurgia.\u00a0 Mesmo sem nenhuma complica\u00e7\u00e3o, quando este \u00edndice n\u00e3o \u00e9 atingido, a cobran\u00e7a por partes dos pacientes pode variar e muito. A rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente pode sofrer altera\u00e7\u00f5es pouco previs\u00edveis em extens\u00e3o e profundidade, articularmente diante de intercorr\u00eancias de problemas que exigem revis\u00f5es cir\u00fargicas e casos de resultado aqu\u00e9m do prometido ou combinado no pr\u00e9-operat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 imperativa no pr\u00e9 e no p\u00f3s-operat\u00f3rio dos casos operados para comprova\u00e7\u00e3o real sobre o que foi combinado antes da cirurgia.\u00a0 Aparelhos de filmar no pr\u00e9, trans e p\u00f3s-operat\u00f3rio s\u00e3o altamente indicados para comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e para fins legais.\u00a0\u00a0 Atualmente existem tipos de filmadoras adaptadas na cabe\u00e7a do cirurgi\u00e3o que oferece condi\u00e7\u00f5es de documentar todas as fases operat\u00f3rias, al\u00e9m de permitir separar fotografias que possam ser usadas para v\u00e1rios fins.<\/p>\n<p>Outro detalhe, n\u00e3o menos importante, \u00e9 o trabalho do cirurgi\u00e3o com uma equipe fixa de assistente(s) e instrumentador(es)\u00a0 e, se, poss\u00edvel de anestesistas, de acordo com o tempo e o tipo de cirurgia . Altamente recomend\u00e1vel a troca de luvas da equipe e do campo operat\u00f3rio a cada duas horas.<\/p>\n<p>Para concluir, existem tr\u00eas tipos b\u00e1sicos de cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos: os professores que se dedicam ao ensino da especialidade na \u00e1rea cient\u00edfica, publicando livros e centenas de artigos (por\u00e9m nem sempre com tanto tempo h\u00e1bil para usar o bisturi; O segundo grupo \u00e9 o inverso: gostam de operar, por\u00e9m, n\u00e3o gostam ou n\u00e3o t\u00eam tempo para escrever, publicar ou participar de congressos da especialidade. O terceiro \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o dos dois tipos de cirurgi\u00f5es: os que operam e publicam, cumprindo pesada agenda. Pertenci a este grupo, o qual recomendo aos jovens.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BREVE AN\u00c1LISE DA EVOLU\u00c7\u00c3O DA CIRURGIA PL\u00c1STICA NO BRASIL PELA CARREIRA DE RICARDO BAROUDI No m\u00eas em que se comemora o Dia Nacional do Cirurgi\u00e3o Pl\u00e1stico e os 68 anos&#8230;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":4283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4281","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4281\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cirurgiaplastica.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}